Vinho branco Quinta da Palmirinha Loureiro 2018 sem Sulfitos

10.95 

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Manuel Moreira

Frescura e distinção de fluente sobriedade

Ao apreciar os vinhos deste produtor, não se pode ficar indiferente ao peso do pioneirismo na biodinâmica em Portugal. Os vinhos carregam só por si esse story telling. São vinhos, mais de boca do que de nariz. Significa que no nariz são relativamente serenos, pouco expressivos aromaticamente, mas na boca revelam elevada estrutura, são vigorosos, cheios apesar da leveza. Para isso também contribui onde se encontra na região, numa área de transição climática, que é o vale do Sousa. Este vinho de Loureiro, de perfil muito recatado, sem a exuberância distintiva da casta, reclama muita da nossa atenção e alguma paciência, pois é daqueles brancos que evoluem progressivamente no copo. De início, fruta delicada, segue-se o floral que se reconhece na casta, num todo em sensação de brilho, de cristalino. No desenvolvimento, surgem mais camadas aromáticas, sempre sem estrondo. Descobrem-se a dimensão mineral, a profundidade e um vinco de personalidade muito próprio.

Na boca, uma dica em jeito de manual de instruções, é que este não é vinho para beber fresquinho. A “fresquinho” refiro-me ao intervalo entre os 6ºC-9ºC. É temperatura demasiado baixa para se tirar todo o proveito, para usufruir na plenitude, e prazer, deste vinho. Entre os 11ºC e os 13ºC é o que sugiro. Também a 15ºC me deu prazer imenso. O vinho apesar dos 11,5% de teor alcoólico, é um vinho cheio, que preenche a boca, tem substância, carregado de matéria, quase não se dá pela acidez elevada, tal é a notável proporção. Ou seja, é um vinho de estrutura consistente, que pede algum cuidado, para lhe perceber os detalhes. É vibrante, mas com conta, peso e medida. O sabor final, é bem alongado, daqueles que subsiste de forma deliciosa. Se o bebermos  “geladinho”, não lhe damos condições de mostrar a sua verdade. 

A frescura e sobriedade são marcos essenciais na relação deste vinho com a mesa. Pratos e ingredientes de marcada personalidade ficam-lhe bem, numa perspetiva de harmonia de carácter. A bem estruturada “boca do vinho”, permite-lhe dar-se bem com ingredientes de alguma suculência, mas nunca perdendo o perfil de frescura.

Pratos de várias temperaturas, do quente, passado pelo tépido e frio. Sushi, saladas variadas, bivalves e moluscos, alguns queijos de ligeira cura, algumas carnes brancas, ou preparações a partir destas, coelho, alguma charcutaria e salsicharia como petiscos. Peixes de porte “pequeno a médio” de carne branca grelhados ou corados (linguado, dourada, pescada, robalo, etc). Alguns pratos de bacalhau, do estilo Gomes de Sá. Nos pratos vegetarianos, pratos de base de quinoa, bulgur, tubérculos, leguminosas, couve-flor, grão de bico, saladas de seitan ou tofu. Pronto ao consumo, mas é daqueles que evolui bem no tempo. 

Ajustar a temperatura de serviço para o mínimo de 11ºC, a fim de aproveitarmos a estrutura e sobriedade do vinho. Um copo de média abertura também lhe será favorável.

Notas do produtor

Quinta da Palmirinha é uma vinha situada no vale do Sousa, concelho de Felgueiras, com 3 ha de superfície. Foi reestruturada em 1994 e replantada com as castas regionais, Azal, Loureiro e Arinto. O sistema de condução é em cordão simples ascendente e compasso de 3 x 2.5 metros.

O seu proprietário, Fernando Paiva, começou a trabalhar diretamente esta vinha, a partir do ano 2000. Nesse mesmo ano recebeu formação em viticultura convencional e, em 2001, iniciou a frequência de vários cursos de Agricultura Biológica e Biodinâmica. Foi neste contexto que teve o privilégio de privar com os grandes técnicos da viticultura biológica e biodinâmica, tais como Pierre Masson, Daniel Nöel, Daniel Pasquet e Nicolas Joly.

Com o apoio de João Castella, aprendeu a fazer a aplicação dos Preparados Biodinâmicos, tendo com isso obtido, em 2007, a Certificação Demeter. Desde esse ano, sem interrupção, tem posto no mercado os seus vinhos, com a marca Quinta da Palmirinha.

Além deste vinho branco, produz também com os mesmos métodos, um vinho tinto, com a casta Vinhão, em Gatão, Amarante, na margem esquerda do rio Tâmega.

A vinificação é feita em adega da quinta, com equipamento semi automático. As fermentações decorrem lentamente, com controlo de temperatura; não se utilizam enzimas, nem leveduras exógenas. São vinhos muito frescos e aromáticos e, acima de tudo, muito naturais.

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